Aproximação fatal

Avião que levava Ministro do STF caiu em área conhecida por histórico de acidentes aéreos

Avião que levava Ministro do STF caiu em área conhecida por histórico de acidentes aéreos

Um avião moderno, novo e em ótimas condições, um piloto experiente, instrutor da rota em questão, que tem duração curta, de aproximadamente meia hora.

Analisando assim, é difícil imaginar que haja alto risco de acidente em um voo entre a cidade de São Paulo e a de Paraty, no litoral Sul do Rio de Janeiro. Infelizmente, o improvável aconteceu e, em 19 de janeiro passado, o bimotor King Air C-90, fabricado pela americana Beechcraft, que levava cinco pessoas, entre elas o Ministro do STF Teori Zavascki, caiu a apenas 2

O acidente teve muitas testemunhas, a maioria pescadores, barqueiros e turistas e todos relataram que as condições climáticas eram bastante adversas. Chovia forte e a visibilidade era baixa, o que teria feito com o que o piloto arremetesse e fizesse uma nova tentativa de pouso na pista curta e ladeada por morros, onde só se consegue pousar com condições visuais. O avião teria então perdido altitude e se chocado com o mar.

Avião moderno e seguro, com baixa taxa de seguro

Prováveis causas

Suspeitas à parte, Mello fez algumas análises das características da tragédia. Ele lembra que a região registra um alto número de acidentes aéreos, dentre eles os que vitimaram o Deputado Federal Ulysses Guimarães e o então candidato à Presidência da República, Eduardo Campos. Somam-se ainda como fatores agravantes o mau tempo e a frágil estrutura do aeródromo local. Além disso, ele cita o fato de que o avião estava na fase final de voo, que é a mais crítica.

Segundo informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o avião operava em situação regular com o certificado de aeronavegabilidade válido até abril de 2022 e o de inspeção anual até abril deste ano.

De acordo com a Flight Safe Foundation, organização que compila informações sobre acidentes aéreos em todo o mundo, desde 2010 ocorreram oito acidentes com este modelo, causando 11 mortes. Note-se que a série C-90 começou em 1971 e conta com mais de mil aeronaves produzidas. Daí que as autoridades envolvidas nas investigações não descartem ainda a possibilidade de sabotagem, dada a importância do Ministro Teori Zavascki para o bom andamento da Operação Lava Jato.

Ele continua: “nos parece se desenhar – devemos aguardar as investigações – que o CENIPA irá se debruçar na análise de um provável CFIT (“collision flight into terrain”), colisão com o solo em voo controlado, como hipótese muito mais razoável do que uma sabotagem”, prevê.

Seguro para aeronaves

“O piloto pode ter ‘estolado’ (perdido sustentação) ao fazer uma curva acentuada demais (por perda de orientação espacial, não saber ou distinguir a real posição do avião), tentando abortar o pouso. Há que se verificar inclusive a escala de trabalho deste piloto, se estava descansado, pois a “fadiga de piloto” pode ser outro fator contribuinte. Tudo isso deverá ser avaliado pelos investigadores”, avalia.De acordo com o especialista em Gerenciamento de Risco, Gustavo Mello, o modelo do avião acidentado é conhecido como moderno e extremamente seguro. Acidentes com este tipo de aeronave são raros no Brasil. “O avião possui um painel digital, que facilita a navegação do piloto. Tem toda a navegação monitorada, com uma espécie de GPS melhorado e toda navegação interligada. As seguradoras, inclusive, cobram uma taxa mais barata para o King Air, porque é um avião moderno e com menor taxa de acidente”, explicou.

Os seguros para aviões e helicópteros estão entre os mais caros e costumam ser garantidos por um “pool” de seguradoras, e não por uma só. O Seguro de Casco Aeronáutico garante proteção ao casco do avião, além de seus motores e equipamentos. Em geral, a proteção ao casco é contratada na modalidade “All Risks”, o que significa que todos os riscos que possam causar danos à aeronave estão cobertos, exceto os explicitamente excluídos na apólice.

As transportadoras aéreas, de linhas ou táxis aéreos, são obrigadas a contratar as coberturas 1, 2, 3 e 4. No caso de passageiros e tripulantes (Classes I e II), o R.E.T.A cobre, até o limite de indenização, os riscos de morte, invalidez permanente (parcial ou total), incapacidade temporária, assistência médica suplementar. Cobre ainda dano, perda ou avaria as bagagens. No caso de pessoas e bens no solo (Classe III), o seguro garante proteção contra os riscos de morte, invalidez permanente (parcial ou total), incapacidade temporária, assistência médica, despesas suplementares e danos materiais. E, no caso de danos por colisão ou abalroamento (Classe IV), riscos de morte, invalidez permanente (parcial ou total), incapacidade temporária, assistência médica, despesas suplementares de passageiros e tripulantes da aeronave abalroada.

Porém, a seguradora não indenizará, entre outros eventos, perdas, danos ou responsabilidades decorrentes, direta ou indiretamente, de atos de hostilidade ou de guerra, rebelião, insurreição, revolução, confisco, nacionalização, destruição ou requisição por autoridade de fato ou de direito bem como perdas ou danos causados por ventos de velocidade igual ou superior a 60 nós, terremotos e outras convulsões da natureza, salvo quando a aeronave estiver em voo ou manobra.

February 1st, 2017 by A Security Insurance Agency